Thainá Teixeira

Onde e com quantos anos você começou a dançar?

Comecei com anos 4 de idade na escola de mestre-sala,porta-bandeira e porta-estandarte Manoel Dionísio . Minha primeira escola foi a Mocidade de Vicente de Carvalho.  

 – Qual a sua relação, e a da sua família, com a Mocidade de Vicente de Carvalho?

Sou nascida e criada dentro da escola . Meu pai é fundador, minha família sempre frequentou e ajudou a agremiação.
Lá foi o começo de tudo pra mim . Até meu aniversário de 1 ano de idade foi realizado na quadra .
Ainda na barriga da minha mãe eu já estava presente nos ensaios. Minha família tem um carinho enorme pela agremiação..
Principalmente o meu pai, é uma escola muito importante pra ele.. Muitas lembranças e lutas guardadas na memória.
Hoje infelizmente é difícil de conciliar as coisas e estamos afastados da escola mas continuamos sempre na torcida.
Meu pai não deixa de assistir nenhum desfile. Mesmo de longe ele torce, vibra,briga hahaha . Defende com garra esse pavilhão que tanto ama.

Moro bem próximo, então o contato com a comunidade nunca se perdeu . Sempre que podemos tentamos prestigiar a escola e as pessoas.
No ano em que deixei o cargo de primeira porta-bandeira da mocidade e assumi o posto de primeira na Unidos da Ponte, a família Vicentina fez questão de estar presente em minha posse . Sou muito grata pela torcida e carinho que os diretores e comunidade tem comigo, alguns me viram ainda na barriga, outros acompanharam meu crescimento. É algo realmente de verdade.

 – Você, por muitos anos, participou dos desfiles mirins. Em sua opinião, qual a importância das escolas mirins na formação de novos casais de mestre-sala e porta-bandeira?

Sem dúvidas as escolas mirins são muito importantes para a formação de casais.
Começando pelo ambiente, é próprio para as crianças e adolescentes, onde podem experimentar da diversão e da responsabilidade em um local adequado sempre respeitando seus limites.
Pros casais que começam nas escolas mirins, assim como eu, é bom ter essa experiência adquirida e evoluindo desde cedo. Aprendemos a responsabilidade,desenvolvimento da postura,dança… Passamos por situações de “gente grande”. E quando chegamos lá ,quando saímos do nosso ambiente mirim,  já temos em nossa bagagem profissional tanta coisa, as vezes mais do que as pessoas mais velhas que já estão no ambiente adulto … E assim , conseguimos superar os desafios e situações com mais facilidades. Chegamos a Escola adulta como profissionais mais capacitados, mais preparados e experientes. E assim contiuamos nossa caminhada, com novos desafios e buscando o crescimento… 

– Em que a sua passagem pelo Império Serrano, contribuiu para o seu crescimento profissional?

Foi uma alegria muito grande poder defender o pavilhão do Império. Meu pai é um verdadeiro imperiano e compositor da escola. Ficou todo feliz com a notícia de eu ser porta-bandeira da escola.

Foi minha primeira experiência em uma escola da série A e defendendo um pavilhão de tanta tradição e história.O império é um escola com a comunidade muito forte, isso no começo foi um pouco intimidante pra mim no começo mas fez com que minha experiência na escola fosse ainda mais marcante.
Pude ver com outros olhos, ainda que menina, porém com um pouco mais de maturidade os processos de pré desfile de um casal de uma escola com boa estrutura, o que pra mim era novidade.
Estar no império serrano me abriu grandes portas e contribuiu muito para meu crescimento profissional. Aprendi a lidar com diversas situações e aperfeiçoar um pouco o meu profissionalismo. Quando se está em uma escola de nome, independente do posto que ocupa, você sofre uma certa pressão, pois sempre é esperado algo de você, sempre term alguém observando o que você tem a mostrar. Foi um momento muito marcante pra mim . 

– Sua passagem pela Unidos da Ponte foi muito elogiada pela diretoria e pelos componentes da escola. O que você guardou com você dessa experiência?

Tenho tantos momentos bons na unidos da ponte. Apesar da escola estar passando por dificuldades, me acolheu como uma grande família,apostou em meu trabalho e me deu muita estrutura pra eu poder realizá-lo.  Tentei retribuir tudo isso , me deu um gás a mais pra eu poder trazer as notas máximas a escola junto com meu parceiro. Nos empenhamos muito não só em nossa dança, a escola fez com que realmente me envolvesse com ela. Só tenho o que agradecer a todos, fiz muitos amigos em especial o Marcelo que sempre nos dava força e tentava suprir ao máximo nossas necessidades, o Ricardo e o Rodrigo que se empenharam bastante na confecção de nossa fantasia e foi uma das mais lindas que já desfilei na vida, não tive nenhum incomodo ou dificuldade.
Levo a certeza de que quando se há amor é possível se reerguer.Aprendi isso com a comunidade meritiense. Pude ver e presenciar todo o empenho,amor e esforço dos diretores a velha guarda em ver sua escola reestruturada,fazendo um bom desfile. Não faltavam a nenhuma reunião .
Torço muito pela Unidos da Ponte, tenho orgulho de ter feito parte dessa história , poder ter defendido e trazido as notas máximas a uma escola tão tradicional foi uma honra. Espero que continue sempre crescendo .

 – Você acha que existe diferença no empenho e dedicação dos casais que desfilam na Sapucaí e na Intendente?

Alguns casais tratam isso com diferença. Na minha opinião não há nem deve haver diferença no desempenho de nosso papel. A responsabilidade e o trabalho efetuado é o mesmo seja em qualquer grupo em que a escola esteja. Temos que nos dedicar ao máximo para honrar nosso pavilhão e trazer as notas máximas para a escola, seja ela do especial ou do acesso. O função desenvolvida pelo casal não pode ser diferenciada pelo grupo em que a escola esteja ou pelo local do desfile. Um casal de mestre-sala e porta-bandeira tem a mesma importância independende de seu posto ocupado, o que muda são os palcos em que iremos realizar nosso trabalho.

 – Como é a sua relação com a comunidade da Rocinha?

A comunidade da Rocinha me recebeu de braços abertos desde quando entrei como segunda porta-bandeira. Posso sentir o carinho de todos e pude ter a certeza de sua veracidade com a alegria e aprovação quando fui promovida ao primeiro posto.

É uma verdadeira família. Durante esses anos an escola pude fazer bons amigos,conhecer pessoas muito especiais. A comunidade torce muto pela escola e tem um carinho muito grande por ela. A pessoas lutam,se emocionam,brigam,se empenham … Tudo isso por amor ao nosso pavilhão. Pude ver a união de muitos amigos para que a escola voltasse a série A.
Destaco aqui a nossa velha guarda que tem um carinho muito grande com Yuri e comigo também . Nos tratam como verdadeiros netinhos. Tenho muito orgulho toda vez que falo deles, se preocupam realmente conosco. Isso me deixa muito feliz.
O carinho e a força que recebemos de nossa comunidade é algo realmente lindo de se ver e de sentir.

– Como está a rotina de ensaios rumo ao carnaval 2016?

Já começamos a nos preparar para o carnaval. Começamos nosso preparo físico e a rotina de ensaios estava um pouco mais leve antes da escolha de samba. Agora com nosso hino escolhido, nossa rotina se intensifica , a quantidade de números e tempo de ensaios aumenta . Pegamos mais pesado agora para podermos estar mais relaxados quando estivermos próximo ao grande dia

 – Você foi instrutora do Projeto Madureira Toca, Canta e Dança, instituição da qual você já foi aluna. Qual a importância dessa instituição na sua carreira e qual é a sensação de poder ter transmitido o seu conhecimento a novas porta-bandeiras? E como fica o coração quando vê uma de suas alunas defendendo escolas pela cidade a fora?

O projeto é muito importante pra mim. Já cheguei lá com a técnica obtida no projeto Manoel Dionísio mas o madureira toca,canta e dança foi fundamental no meu aperfeiçoamento. Aprendi muitas coisas que ainda eram desconhecidas pra mim , pude ir me lapidando aos poucos, tive aulas e palestras com profissionais incríveis. Tive a honra de poder ter aprendido com o Mestre Gallo, ele é ralmente uma pessoa de muito valor, tenho muito carinho por ele e gratidão por ele ter me passado tanta coisa , e ainda passa. Ele é um grande amigo.

Eu não estaria aqui se não fosse tudo o que o projeto e os instrutores me proporcionaram. Tive a alegria e de poder passar o que aprendi aos meus alunos mas cada aula também era um aprendizado pra mim. Fico muito feliz quando vejo cada um obtendo sucesso e brilhando . Meu coração vibra quando ouço um elogio, sempre que posso fico babando cada um nas redes sociais e tento sempre prestigiar suas conquistas.  É uma alegria muito grande saber que você contribuiu com o pouco que sabe para o crescimento de alguém. Não há pagamento maior do que saber que você de certa forma é um espelho para alguém.  Infelizmente estou afastada do projeto, tive que dar um até logo devido a outras prioridades mas sempre farei parte dessa família. Tenho muito orgulho de todos e os verei brilhando cada vez mais.

– O que é ser porta-bandeira para você?

É uma pergunta complexa e simples. Ser por-bandeira pra mim é tudo. É o que eu amo fazer. O que eu sou e o que me completa. Sabe quando você se imagina bem velhinho fazendo algo que ama ? Eu me vejo dançando na velha guarda haha simples assim. Amo dançar,amo defender a história de toda uma comunidade,amo poder passar o que aprendo,amo poder lutar e representar essa arte linda.  É o que me causa alegria e me impulsiona , o que me dá gás na vida. É a luz no fim do Túnel,refúgio,perdição,turbilhão de sentimentos,revolta e calmaria. É simplesmente fazer por amor e amar poder fazer.

 -Existe alguma porta-bandeira que você admire?

Tenho algumas que eu admiro muito. cada uma me conquista por alguma coisa,seja sua conduta profissional,sua dança,sua história e pessoa que é. Algumas eu tive a honra de poder ser aluna,outras tive a honra de trocar experiências e ouvir conselhos.
Admiro muito minhas madrinhas e que também foram professoras, Veronica Lima da Grande Rio e Jackeline Gomes. Minha ex professora Poly que me da muitas dicas até hoje, Lucinha nobre que também foi minha professora. Vilma Nascimento que é uma pessoa incrivel e tive a honra de poder ouvi-la. Marcela Alves,Squel , Rute . Enfim há muitas que eu admiro e me encantam . Cada uma de um jeito.

 – As fantasias hoje em dia vão de acordo com a imaginação do carnavalesco, são repletas de cores e diferentes formas. No entanto, a escolha da chamada “roupa de quadra” é de responsabilidade do casal, você acha que usar as cores da escola nessas roupas é fundamental?

Com certeza. O casal se veste das cores de sua escola pois são essas cores que ele defende. São essas cores que estão no pavilhão que defendemos. Pra mim é fundamental estar vestida de acordo com as cores do meu pavilhão. Me orgulho delas, de poder defendê-las,vestil-las e mostrar a todos a qual agremiação pertenço. As vezes só pelas cores que estamos vestidos as pessoas já conseguem indetificar de qual escolas somos sem precisar do pavi~lhão parafazer esse primeiro reconhecimento.

– Você acha que os jurados deveriam ser pessoas do meio ou isso poderia criar um mal estar e possíveis favorecimentos?]

Acho que deveriam ser pessoas entendidas da verdadeira dança do casal,pessoas estudadas, que sabem a nossa tradição e o nosso feijão com a arroz. Que sabem a nossa verdadeira técnica e o que pode e não pode. Claro que coloar pessoas do meio causaria uma certa confusão porém isso deveria ser bem planejado para que o julgamento seja feito por pessoas realmente capacitadas e entendidas do que é a nossa dança,nossa arte, como ela deve ser executada e como é a nossa raiz ! Ser julgados por algumas pessoas que exigem e julgam certos tipos de coisas que não fazem parte da verdadeira técnica de nossa dança é complicado . Acaba que muitos casais são injustiçados. Mas temos que dançar confor-me a música, tentar nos adaptar a forma como nossos julgadores nos analisam e nunca deixar nossa raiz e tradição se perder.

 – O que você considera inadmissível para uma porta-bandeira? (Tanto na dança como na conduta)

Qualquer atitude que desonre seu pavilhão . Algumas portas-bandeiras precisam entender que somos defensoras do simbolo maior de uma escola,trajadas ou não. Somos a “marca” que o carrega . Não da pra ficar por ai andando de mini short e com uma postura inadequada. Pra mim é inadimissível portar o pavilhão de roupas vulgares, com copo de bebida na mão, apresentando uma postura ou condição alterada e inapropriada. A postura e a classe deve ser mantida, temos um cargo de destaque em uma escola e devemos nos portar como tal . Assim como na dança,usar roupas inadequadas para dançar demostra falta de respeito ao pavilhão. Como também há portas-bandeiras que desejam resolver seus problemas pessoais em quadra,usando sua bandeira para dar bandeiradas ou fazendo deboches.. Isso é uma desonra a nosso símbolo , nossa dança tem o propósito de exalta-lo,exibi-lo,honra-lo e defendê-lo. Ele não é uma máquina de guerra que deve ser colocada no meio de uma disputa para agredir outras pessoas… Já vi muitas fazendo isso e é realmente vergonhoso.

 – O que podemos esperar de Thainá Teixeira e Yuri Perroni em 2016?

Podem esperar um trabalho feito com muito amor e muito empenho. Estamos muito empenhados para trazer novamente os 40 pontos a nossa escola. Daremos o nosso melhor para superar as expectivas e fazer jus a aposta de nossa escola em nós. Podem ter certeza de que desde já não estamos medindo esforços para o sucesso em nosso quesito. Nosso objetivo maior é fazer nossa borboleta brilhar e faremos isso com muito mais esforço e dedicacão.

 – Qual foi o desfile mais marcante da sua carreira? Por quê?

Tenho tantos desfiles que me marcaram , uns por dar tanta coisa errada e outros por eu ter superado minhas próprias expectativas o que é um dos meus principais objetivos. Meu primeiro desfile na Rocinha me marcou muito, desde o preparo pré desfile até o final. Foi algo que deu realmente certo , tivemos uma ótima estrutura de concentração e o desfile fluiu melhor do que eu imaginava. Yuri e eu dançamos do começo até o final e eu pude ver a alegria das pessoas e principalmente a nossa. Foi algo com muita garra e que me marcou muito.

 – Deixe uma mensagem para os torcedores da Rocinha:

Quero agradecer a todos pelo carinho que tem comigo, dizer que vamos fazer o melhor que pudermos para mostrar que voltamos pra onde não deveriamos ter saído. Conto com a torcida de todos para que nossa Borboleta voe e brilhe . Tenho muito orgulho da minha comunidade! Vamos com força ! Vamos voar alto.
Obrigada meu Presidente e toda a minha diretoria por mais uma vez confiarem em meu trabalho !!! Não vou desapontá-los.