Confira a entrevista com o mestre-sala Mauro Lima

Confira a entrevista do mestre-sala Mauro Lima concedida ao Nobres Casais.

 

– Seu nome e o que faz fora do carnaval?

R: Sou Mauro Lima, e fora do carnaval sou professor de História e Espanhol.

– Como e quando decidiu se tornar mestre-sala?

R: Desde criança sempre fui apaixonado por essa arte, daí quando ia à quadra da Unidos do Jacarezinho, escola que me foi apresentada por meu pai, ficava fascinado vendo a porta-bandeira Soninha Bambaia e o mestre-sala Claudinho dançarem, daí como era baixinho, rs, subia nos alambrados pra vê-los, porém minha mãe era torcedora do Canários das Laranjeiras, e em 1994 minha avó materna, e minhas tias, me levaram a quadra da escola que ficava na lapa, daí vi dois excelentes casais dançando, e fiquei mais doido ainda em querer dançar. Eram os experientes Irene e Carlinhos, e Eliane e Rogerinho, dai pensei: “É isso que quero no samba”. O tempo passou e somente no ano de 2002, estando eu já com meus 21 anos de idade, fui em busca do meu sonho, e conheci a Escola de mestre-sala, porta-bandeira e porta-estandarte do Rio de Janeiro, escola do meu mestre Manoel Dionísio, lugar que amo, e tive excelentes mestres que me ensinaram essa arte tão amada. A partir daí lutei pelo objetivo de dançar nas minhas escolas de coração. Unidos do Jacarezinho e Canários das Laranjeiras. Realizei esse sonho, fui primeiro mestre-sala nas duas, portanto, agradei a papai e mamãe, rs.

– Qual mestre-sala e porta-bandeira te inspirou a seguir essa carreira?

R: Os casais do Canários das Laranjeiras de 1994, Irene e Carlinhos e Eliane e Rogerinho.

– Qual a parte fácil e a parte difícil da vida de mestre-sala e porta-bandeira?

R: A parte fácil, penso que é o glamour, o tapinha nas costas das pessoas dizendo que é o cara e tal, a difícil, é você lutar por esse objetivo, conquistá-lo sem passar por cima de ninguém e manter seus princípios.

– Você já realizou todos seus sonhos/objetivos como mestre-sala?

R: Tenho 35 anos de idade, e ainda tenho muitos sonhos, antes, queria passar com meu JACAREZINHO de primeiro na Sapucaí e conquistei, depois quis chegar a elite do carnaval, fui segundo mestre-sala da Unidos do Viradouro em 2009, agora a luta é conseguir retornar com meu JACAREZINHO ao grupo de acesso, e ainda acredito que posso voltar ao grupo especial, e o objetivo principal é ser primeiro mestre-sala no grupo especial, com a força do meu Deus e meus Orixás realizarei esse sonho.

– Se não fosse mestre-sala, estaria em algum outro seguimento?

R: Na verdade eu não consigo me ver em outro seguimento, rs. Amo ser mestre-sala, porém se não fosse mestre-sala, trabalharia com a Harmonia. Admiro muito o trabalho que eles exercem nas escolas.

– Qual o momento do carnaval 2016 você destaca como o mais marcante para você?

R: O momento do carnaval 2016 mais marcante foi a apresentação do primeiro casal da Mangueira, não só pelo impacto em ver uma porta-bandeira careca, mas pela garra do casal.

– E o momento mais difícil?

R: O meu momento mais difícil foi a minha queda frente a segunda cabine dos julgadores. Danço desde 2002, sei que a probabilidade do mestre-sala cair é grande, pois ele se arrisca ao riscar o chão, porém eu caí cortejando, isso é muito raro, já desfilei com temporal, vento forte, pista molhada e nunca cai, desse vez foi algo sobrenatural, a sensação que tive, foi de que fui empurrado (espiritualmente falando), mais levantei muito rápido e dei continuidade a apresentação. Deus e os Orixás foram comigo, e até dessa dificuldade tirei muitas lições, e vida que segue, estou mais forte ainda em prol dos meus sonhos. Graças a Deus,estou de pé.

– Um ídolo (a)?

R: Sou fascinado pela dança do Fabrício Pires, mestre-sala da São Clemente, e o admiro muito como pessoa, dentro e fora do carnaval.

– Qual conselho você daria para quem tem interesse em se tornar mestre-sala e porta-bandeira?

R: Lute por seus sonhos, ensaie e estude bastante, e nunca passe por cima de ninguém, pois no momento certo sua hora vai chegar. Muito obrigado a toda a equipe dos Nobres Casais, saibam que vocês me deixaram muito emocionado com o convite para essa entrevista. Que Deus abençoe a todos vocês e que viva a arte da dança do mestre-sala e da porta-bandeira!